O renascimento do planejamento regional?

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Baía da Guanabara, vista do porto com a Ponte Rio-Niterói ao fundo

Na semana que passou (2 a 4 de julho 2013) tive a satisfação de ter sido convidado para participar de uma oficina (ou “reunião de trabalho”) promovida pelo INEA – Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, GEF e FAO, no âmbito do BIG – Projeto Baía da Ilha Grande. O objetivo da reunião foi o de avaliar uma estratégia de integração dos instrumentos de gestão dos recursos hídricos e do gerenciamento costeiro do Rio de Janeiro.

Coisa metodologicamente complexa, politicamente carregada e de difícil implementação são não só os Planos de Bacias mas também o Zoneamento Costeiro. Questões de escala, foco, bases de informação, relações institucionais entre os muitos níveis de decisão, atribuições e responsabilidades legais e constitucionais, participação, urgência dos problemas, mobilização e, é claro, a “voz das ruas” – todos esses vetores vieram à tona e foram discutidos e avaliados. Até a cura gay entrou no debate.

Muito do que a U&A tem produzido (e que está exposto neste blog) foi discutido. Questões metodológicas e político-institucionais foram profundamente debatidas, casos foram apresentados e analisados nesse encontro, que contou com cabeças de primeira ordem. Listo aqui alguns nomes correndo o inevitável risco de deixar alguns de fora em razão do já galopante Alzheimer:

  • Aline Nunes Garcia – Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos. (IEMA/ES)
  • Andrea Olinto – Coordenadora do Programa de Gerenciamento Costeiro da Secretaria de Meio Ambiente de Pernambuco (GERCO/PE)
  • Antônio Eduardo Lanna – Consultor na área de recursos hídricos, com experiência na área de engenharia de recursos hídricos, com ênfase em hidrologia e planejamento de recursos hídricos.
  • Leila Swertts – Gerente da Gerência Costeira, Diretoria de Zoneamento Territorial, Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente (DZT/SEDR/MMA)
  • e ainda a Maria Gravina Ogata, Ricardo, Marie, Tiago, Léo, Bruno, Patrícia e toda a equipe jovem, brilhante e cheia de gás que a Rosa Formiga conseguiu montar no INEA ao longo desses anos turbulentos de grandes reformas estruturais na Secretaria do Ambiente do RJ.

E você perguntaria: Quais os resultados? o que eu posso dizer é que há muito mais questões do que resultados. Se a coisa fosse simples já teria sido resolvida, não é mesmo? E, como eu digo sempre, para todo problema complexo há sempre uma resposta simples, direta e errada. Serviu para o pessoal de gestão parar pra refletir um pouco sobre as CAUSAS dos problemas que enfrentam, e não só nos seus SINTOMAS. Serviu também para jogar um pouco mais de luz sobre o que vem sendo vendido como “plano” no já picaretado “mercado de planos” nacional (incluo aqui tanto algumas empresas de consultoria como algumas agências oficiais contratantes), que se satisfaz com diagnósticos intermináveis e programas de ação inócuos (lembram muito mais uma feira de ciências de alunos do ensino fundamental – sem querer ofender estes últimos).

O que me deixou muito feliz não foram os “resultados”, que, de passagem, ninguém ali estava preocupado em definir. Muito mais importante foi a constatação que o planejamento regional vem renascendo. Não só como uma disciplina ou um título para a caixinha das “coisas a resolver”, mas muito mais como necessidade para se poder entender a realidade e de como organizar uma abordagem de gestão. É coisa complicada, assoberbante… mas ruim com ele, muito pior sem ele, como vemos hoje as consequências de sua falta nos setores de transportes, logística, saúde, ambiente, energia, recursos hídricos, etc.. etc.. etc.. “Vide as ruas”…

Muito teria o que dizer aqui sobre o encontro, cujos insights continuam produzindo seus efeitos na minha cabeça. Mas, como o espaço é curto, só preciso mesmo agradecer o convite e esperar que tudo o que rolou tenha sido tão útil para o INEA como foi para mim.

R Ramina