“Arquitetura. Ela começa a espernear de novo.”

[Compartilhando coisas]

Ontem assisti ao Roda Viva, na TV Cultura. Lá estava o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, como entrevistado.  Que fantástico.

O arquiteto manifestou seu fascínio pela cidade, este objeto tão nosso, tão espetacular e complexo. Aos que puderem resgatar o debate de ontem, eu recomendo que assistam. Foi uma aula de arquitetura, urbanismo, engenharia e vida.

Encontrei este link, que fala um pouco sobre o arquiteto:
http://paulomendesdarocha.wordpress.com/
E aqui uma entrevista à Revista VITRUVIUS, em 2006:
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/07.026/3302

Durante o programa de ontem, lembrei-me de duas personalidades: (i) Olga Benário – que deixo para o final – e (ii) Italo Calvino. Calvino obviamente porque abordou seu fascínio pelo símbolo complexo da cidade ao dizer que lhe permitia “maiores possibilidades de exprimir a tensão entre a racionalidade geométrica e o emaranhado das existências humanas” (CALVINO, em Seis Propostas para o Próximo Milênio). Paulo Mendes da Rocha falou sobre isso – dentre outras coisas-, sobre a existência humana… com uma linguagem autêntica, clara, simples direta e acessível.

Como é bom se reconhecer no discurso de outras pessoas, em outros colegas e profissionais. Ouvir tanta coisa boa, aprender, rever, reler, reaprender. Expressividade! Opinião! Produção! Parabéns ao trabalho de Paulo Mendes.

Que a nossa angústia por saber o que é bom, certo e justo – e não conseguir realizar tudo plenamente a todo instante – mantenha vivo ao menos o desejo pela transformação, pelo processo de construção de oportunidades. E, claro, de cidades norteadas por um valor maior, mais puro e prazeroso que o da vulgar especulação [imobiliária].

Olga? Sim: o programa de ontem me fez lembrar de sua célebre frase: “Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo”.

Maria Carolina Leal Polidori

(*) SEIS PROPOSTAS PARA O PRÓXIMO MILÊNIO – Lições americanas (Italo Calvino):  Declaração de ética, mais que de poética, as conferências que Calvino preparou para a Universidade Harvard representam o testamento artístico de um dos protagonistas literários do fim de milênio. Em meio à crise contemporânea da linguagem, cada vez mais aguda, o grande escritor italiano identifica as seis qualidades que apenas a literatura pode salvar – leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade, consistência -, virtudes a nortear não apenas a atividade dos escritores mas cada um dos gestos de nossa existência. Feitas de divagações, memórias, trechos autobiográficos, as Seis propostas de Calvino constituem um precioso legado do milênio para as gerações do ano 2000 (COMPANHIA DAS LETRAS 2013).